Como é feita a retirada de um câncer de pele
Como é feita a retirada de um câncer de pele? Veja o que esperar, da anestesia à volta para casa, e por que se retira também a pele ao redor.

Quem recebe o diagnóstico de câncer de pele costuma sair do consultório com mais dúvidas do que respostas. Talvez a maior delas seja: como é feita a retirada de câncer de pele? Vou contar aqui, com calma, como isso costuma acontecer comigo, em minha prática médica.
Costumo indicar a retirada depois que o diagnóstico está confirmado, em geral por uma biópsia, que é a retirada de um pequeno pedaço da lesão para ser examinado microscopicamente. Com o resultado em mãos, reservo um horário só para a cirurgia. Ninguém é operado de surpresa, no meio de uma consulta de rotina.
Na maior parte das vezes, a cirurgia é feita no próprio consultório. Cirurgia de pele não exige internação: você chega, é operado e volta para casa no mesmo dia. No caso de lesões muito grandes, ou em regiões onde o sangramento tende a ser maior, pode ser melhor operar em ambiente hospitalar. Isso a gente conversa antes, caso a caso.
No dia, você deita na maca, numa posição confortável. Antes de qualquer coisa, eu desenho na pele o contorno da lesão e, ao redor dela, uma faixa de pele de aparência normal. Essa faixa se chama margem, e é o coração da cirurgia.
Pense em quem arranca uma erva daninha do jardim. Se puxar só o que aparece acima da terra, ela volta. É preciso levar um pouco da terra em volta, para que nenhuma raiz fique para trás. Com o câncer de pele é parecido: retiramos a lesão junto com um pouco de pele saudável, justamente para buscar a retirada completa. Alcançar margens livres de tumor é o objetivo central da cirurgia, e as diretrizes médicas são claras nisso [1][2].
Depois das marcações, limpo a pele com antisséptico e faço a anestesia local. Esse é o momento mais incômodo: uma picada, com uma ardência que dura pouco. Em seguida, a região fica dormente. Você sente toque e pressão, mas a ideia é que não sinta dor. Só começo quando a área está completamente anestesiada.
Retirada a lesão, cuido de qualquer sangramento, com cauterização ou com pontos internos, e passo ao fechamento da ferida. Então vem o curativo. O tempo total costuma ficar entre uma e duas horas, dependendo da complexidade de cada caso.
Você sai com orientações sobre os cuidados com a ferida, a retirada dos pontos, o repouso e o controle de eventual dor. O material retirado vai para um laboratório de patologia, fora do consultório, onde é examinado ao microscópio. É esse exame que confirma se a retirada foi completa.
No fundo, a cirurgia de um câncer de pele é um procedimento organizado, com etapas conhecidas. Boa parte do medo mora no que não se conhece. Saber o caminho não faz a preocupação sumir, mas costuma deixá-la menor.
Se você recebeu esse diagnóstico, tem uma lesão que o preocupa ou um familiar com histórico de câncer de pele e quer entender melhor o seu caso, agende uma consulta. Cada pessoa é avaliada individualmente, e a conversa vem antes de qualquer decisão.
Referências
- Stratigos AJ et al. European consensus-based interdisciplinary guideline for invasive cutaneous squamous cell carcinoma: Part 2. Treatment - update 2026. European Journal of Cancer, 2026. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42263355
- Kowalczyk D et al. Contemporary Multimodal Management of Cutaneous Malignancies: Surgery, Radiotherapy, Systemic Therapy, Molecular Targeting and Immunotherapy. Cancers (Basel), 2026. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42794996
Este texto tem caráter informativo e não substitui a consulta médica.